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As alterações nas condições climáticas, ecológicas e ambientais criam ambientes mais propícios à proliferação de insetos vetores, como os mosquitos. Consequentemente, aumenta o risco de transmissão de arbovírus para a população.
Devido ao aumento significativo de casos, especialmente na região Norte, a doença tem ganhado destaque nos últimos meses. A região Nordeste também foi atingida pela doença, registrando as primeiras mortes entre maio e junho. Dados do Ministério da saúde revelam que em 2024, foram registrados 7.236 casos da doença, em 20 estados brasileiros. A maior parte dos casos foi registrada no Amazonas e Rondônia.
Saiba mais sobre a doença
A febre Oropouche é uma doença causada pelo vírus Orthobunyavirus. Transmitida pelo mosquito maruim (Culicoides paraensis), essa arbovirose tem se tornado cada vez mais frequente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, onde as condições climáticas quentes e úmidas favorecem a proliferação do vetor.
Foi descrito pela primeira vez em 1955, na comunidade de Veja de Oropouche, em Trinida e Tobago, por isso a origem do nome. No Brasil foi encontrado pela primeira vez em 1960, a partir de amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.
A febre Oropouche é transmitida principalmente pela picada do mosquito Culicoides paraensis. Em ambientes silvestres, o vírus circula entre animais como bichos-preguiça e primatas, sendo posteriormente transmitido para humanos. Em áreas urbanas, os humanos são os principais hospedeiros, e o Culicoides paraensis continua sendo o principal vetor. No entanto, o mosquito Culex quinquefasciatus (pernilongo) também pode atuar como vetor secundário, ampliando a disseminação da doença em áreas urbanizadas.
Sintomas
A febre Oropouche tem um período de incubação que pode durar de cinco a sete dias. Os sintomas, que costumam persistir por cerca de uma semana, são semelhantes aos da Dengue e da Chikungunya: dor de cabeça, dores musculares e articulares, náuseas, diarreia e calafrios. Em casos mais graves, podem ocorrer complicações neurológicas, como meningite e meningoencefalite, e manifestações hemorrágicas.
Diagnóstico
Dada a semelhança dos sintomas com outras arboviroses, o diagnóstico da febre Oropouche requer uma avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial. Nos estágios iniciais da doença, o diagnóstico pode ser confirmado por meio de testes moleculares, como o PCR. Em casos mais avançados, a pesquisa de anticorpos é utilizada.
A notificação da febre Oropouche é obrigatória em todo o território nacional, devido ao alto risco de disseminação da doença.
Tratamento e Prevenção
A febre Oropouche não possui tratamento específico. O tratamento é sintomático, visando aliviar os sintomas como dor, febre e mal-estar, por meio do uso de analgésicos e anti-inflamatórios
Para prevenir a febre Oropouche, as mesmas medidas utilizadas para prevenir a dengue são recomendadas. É importante usar repelentes, vestir roupas que cubram a maior parte do corpo e evitar áreas com muitos mosquitos.